




acho que poderia contar boa parte da minha infância através da farofa
lembro da minha vó inês, que amorosamente levantava no início do almoço quando meu irmão quase sempre reclamava - não tem farofa - e feliz da vida voltava pro fogão
lembro da minha mãe e do meu pai em felizes 1970, longe, la nas terras do tio sam a procura de manioca flour - what!!! pra fazer pros amigos latinos da universidade que nunca conseguiram falar - farofa - nada além de sarassa se ouvia.
mais tarde lembro da igina, minha 3 vó, mãe preta, dona da cozinha da casa da minha vó maria luiza, de turbante branco, sabedoria e poder em sorriso farto, só se comparava seu amor a cozinha pelo amor ao salgueiro - a escola de samba.
igina era de uma época em que não se contavam, calorias, só contava o sabor, época de um outro ritmo, outro tempo
foi pra igina que pedi na adolescência pra me ensinar a fazer a farofa que ela fazia
ensino se vc prometer fazer direitinho! prometo igina!
lembro dela de vestido azul lindinho, na casa da tia nízia, na cozinha da dona leonídia também vó mas emprestada, a beira do fogão me contando precioso segredo... com muita seriedade
presta atenção, tem que ter paciência
corta bem pequenina a cebola
frita na manteiga, bastante - boa manteiga!
depois que estiver douradinha coloque os ovos - ovo bom hein!
mexa os ovos
vá colocando a farinha - farinha boa hein!
e torre até ficar bem crocante - com paciência hein, sem bobageira!
não esquece o sal!
ah e farinha que usei foi a última que meu irmão mandou lá de terras mineiras/baianas de Teófilo Otoni







